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Paciente 01662: a arte que transformou o manicômio e a visão sobre o louco

Paciente 01662: a arte que transformou o manicômio e a visão sobre o louco

A definição de normalidade é a do comportamento que se encaixa no padrão, no comum, no usual. O diferente e o exótico costumam ser relegados ao campo da loucura. Apresentados sempre como oposições a normalidade e a loucura são categorias que inventamos para dividir o comportamento humano. A tendência em dividir as pessoas em lugares normais e lugares loucos criou ao longo do tempo o estigma de que a loucura é a condição do exilado, do pária, do doente.

Entretanto, conceituar o louco como o diferente, o não-usual, o aproxima de outra figura: o artista. Dentro da percepção do artista, os temas da normalidade são revistos, refeitos e a linha divisória entre loucura e normalidade é apagada.  Fora de uma divisão excludente, a loucura e a arte tornam-se coisa única. Como na história de Arthur Bispo do Rosário, o paciente 01662.

Arthur Bispo do Rosário perambulou entre a realidade e o delírio, aos 29 anos acompanhado de um exército de anjos vagou pelas ruas do Rio de Janeiro de 1938. Era dezembro, dia 24, enquanto comemorava-se o nascimento de Cristo, ele vestia seu manto e fazia ao mundo sua “anunciação”, ele veio para representar o mundo.

Levado ao Hospital dos Alienados, na Praia Vermelha, recebeu um diagnóstico e uma ficha: negro, sem documentos, indigente. De lá seguiu para a Colônia Juliano Moreira, onde viveria por 50 anos. Lá se tornaria o paciente 01662, O diagnóstico: esquizofrenia paranoide.

Nasceu em Sergipe, na cidade de Jarapatuba, Aos 16 anos, foi inscrito pelo pai na Escola de Aprendizes de Marinheiros de Sergipe e embarcou num navio como ajudante-geral. Ficou na instituição até 1933, viajando pelo País e colecionando advertências por comportamentos inadequados. Mas também se tornou um bom boxeador. Foi campeão sul-americano na categoria peso-leve.

Após ser expulso da corporação, fez diversos bicos na cidade carioca, até se tornar lavador de bondes. Sofreu um acidente durante o trabalho e ao levar o caso à justiça conheceu o advogado Humberto Leone, ele se sensibilizou com o caso de Bispo e o empregou em sua própria casa como ajudante de serviços gerais. Bispo do Rosário morava em um quartinho na casa do advogado até o dia em que as vozes vieram.

Movido por essas vozes Bispo disse que era um enviado do Todo-Poderoso, responsável por julgar os vivos e os mortos. Ele tinha uma missão, “Vozes me dizem para me trancar em um quarto e começar a reconstruir o mundo”, dizia ele.

Foi o que fez durante o tempo em que passou internado. Na época o tratamento destinado aos pacientes psiquiátricos incluía choques elétricos, medicação sedativa muito forte e até mesmo lobotomia.  Trancado por um período de anos, ele produziu o que mais tarde viria a ser chamado de “Primeira experiência legitimamente brasileira da Pop Art”.

Ele nunca havia ouvido falar de Andy Warhol ou ainda Marcel Duchamp, a quem comparariam sua obra, e negava o rótulo de artista, creditava tudo à sua missão. Arthur Bispo do Rosário produziu mais de 800 obras, incluindo a mais famosa o “Manto da Apresentação”. Eram colagens, estandartes, tapeçarias, pinturas e bordados, tudo produzido a partir de materiais descartados, trazidos pelos companheiros de manicômio ou recolhidos por ele mesmo.

Arthur Bispo do Rosário fazia arte do que a sociedade descartava, não só falando dos materiais que usava, mas sim da própria condição em que vivia e executava seu trabalho. “Os doentes mentais nunca pousam, ficam sempre a dois metros do chão” era o que falava sobre a própria condição e a de seus companheiros.

Para entrar em seu Ateliê,  o interessado deveria responder à pergunta “Que cor tem o meu semblante?”, quem não via cores em Bispo não poderia entrar. Ele reconstruiu o mundo em suas obras. Sua memória, sua estética e sua loucura ficaram estampadas nas peças que enfeitaram a Colônia Juliano Moreira.

Como o próprio Bispo dizia ele não era um artista, ele era alguém com uma missão. “Eu vou reconstruir o mundo e depois vou subir”.  Ele morreu em  5 de junho de 1989, se sentiu mal e foi atendido no setor médico. Estava muito magro pelos jejuns que fazia durante os longos períodos em que produzia. Morreria horas depois, vítima de enfarto, aos 80 anos.

Por Rodrigo Correia

FONTE: http://ulbra-to.br/encena/2012/09/07/Paciente-01662-a-arte-que-transformou-o-manicomio-e-a-visao-sobre-o-louco

 

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Deputado do PV apresenta projeto para legalizar a maconha no país

Deputado do PV apresenta projeto para legalizar a maconha no país
Proposta de Eurico Júnior (RJ) autoriza cultivo da droga dentro de casa.
Segundo projeto, venda para uso recreativo seria limitada a 40 gramas.

O deputado Eurico Júnior (PV-RJ) protocolou nesta terça-feira (25) na Câmara dos Deputados projeto de lei que propõe a legalização e regulamentação do cultivo e da comercialização da maconha no Brasil. A proposta autoriza a plantação em residências, além da produção para uso medicinal e recreativo. A matéria também cria mecanismos para o poder público monitorar a produção da erva.

O texto apresentado pelo deputado do PV ainda aguarda definição sobre as comissões nas quais precisará tramitar antes de ser submetido ao plenário.

Na semana passada, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) anunciou que vai debater no Senado uma proposta de iniciativa popular que também sugere a descriminalização da droga.

A proposta de Eurico Júnior estabelece que poderão ser cultivadas dentro de casa até seis unidades da cannabis sativa, nome científico da maconha, obedecendo ao limite de 480 gramas anuais para a colheita.

Nesses casos, o consumo só pode ser feito em ambiente doméstico.  Entre os objetivos da proposta, justificou o autor, está a intenção de “proteger” a população do país dos riscos decorrentes do vínculo entre o comércio ilegal da maconha e o narcotráfico.

Controle governamental

O texto protocolado pelo deputado do PV também determina que, nas produções de maconha para pesquisa científica, com fins terapêuticos e para uso recreativo, o controle da plantação caberá ao Ministério da Agricultura. A venda de maconha para fins medicinais, segundo o projeto, dependerá de receita médica.

Para fins recreativos, no entanto, a matéria propõe que o usuário terá de se registrar na “repartição competente”, mas não especifica que órgão ficará encarregado de controlar o consumo e nem quem poderá vender a droga.

Neste caso, o responsável por vender a droga só poderá fornecer até 40 gramas para cada usuário, determina o texto da Câmara. O projeto, no entanto, não especifica a frequência em que os usuários poderão adquirir as 40 grama de maconha. O G1 tentou contato com o autor doa proposta, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Regulamentação e ações educativas

Pela proposta de Eurico Júnior, caberá ao poder Executivo regulamentar as medidas de fiscalização e controle, assim como o acesso às sementes da cannabis sativa. O projeto também prevê que o poder público deve “dar prioridade” para medidas voltadas para o controle e regulação das substâncias, bem como para ações de conscientização e proteção contra os riscos do uso da maconha.

Fica definido ainda que o Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, deve promover as políticas para promoção da saúde e de prevenção ao uso da droga. A inclusão da disciplina “Prevenção do Uso de Drogas” também passa a ser obrigatória nas grades curriculares do ensino fundamental, médio e técnico-profissional, diz o texto.

Por Felipe Néri

FONTE: http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/02/deputado-do-pv-apresenta-projeto-para-legalizar-maconha-no-pais.html

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Vacina impede ação da cocaína e do crack

Vacina impede ação da cocaína e do crack

Substância instrui o sistema imunológico do dependente a atacar as moléculas de droga; tratamento obteve sucesso em macacos e será testado em humanos

Cientistas americanos anunciaram a criação de algo que pode revolucionar as políticas de combate a drogas: uma vacina capaz de anular o efeito da cocaína e do crack. Ela foi desenvolvida pela Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York, e já foi testada com sucesso em ratos e macacos. Os pesquisadores manipularam o vírus que causa gripe comum – ele foi acoplado a uma molécula artificial, criada em laboratório, que tem exatamente o mesmo formato da molécula de cocaína. Em seguida, esse vírus foi injetado em cobaias. E algo incrível ocorreu: o sistema imunológico dos animais criou defesa contra a molécula. A partir daí, se o animal consumisse cocaína, ela era destruída pelo organismo. Não chegava ao cérebro, e portanto não produzia efeito. “Nós ensinamos o organismo a ver a molécula de cocaína como intrusa”, explica o geneticista Ronald Crystal, líder do estudo. A vacina também funciona contra o crack.

Ela não causou efeitos colaterais, mas mostrou ter duração limitada: 13 semanas em ratos e sete em macacos. Não se sabe por quanto tempo se manterá eficaz em humanos (os testes em pessoas começarão em 2014). Além disso, a vacina não elimina a dependência química e psíquica – o dependente sente falta da droga e continua tendo vontade de consumi-la. A diferença é que, se ele fizer isso, não obterá efeito. Por isso, a vacina não dispensa o acompanhamento psicológico. Mas poderá ser de grande ajuda para quem luta contra o vício.

Marcos Ricardo dos Santos

FONTE: http://super.abril.com.br/saude/vacina-impede-acao-cocaina-crack-755452.shtml

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Péssimas condições de trabalho podem levar ao uso de drogas e suicídios

Péssimas condições de trabalho podem levar ao uso de drogas e suicídios

Rotinas exaustivas, assédio moral, salários baixos e más condições de alimentação e moradia são algumas das características básicas em complexos industriais enormes que se espalham pela China e em alguns outros países.

Segundo Heliete Maria Castilho Karam, doutora em psicologia clínica pela Universidade de Paris, os altos índices de suicídio e as dependências químicas, no mundo todo, estão ligados ao ambiente de trabalho ruim.

“Algumas pessoas recorrem ao álcool para silenciar esse barulho interno e anestesiar a consciência. Já o suicídio também começa a preocupar o Brasil, mas infelizmente aqui não é tão estudado como lá fora”, afirma.

Segundo ela, em 2010 ocorreram 10.334 suicídios na França, 68% deles relacionados ao trabalho. Já os países asiáticos estão em primeiro lugar em índices de suicídio entre pessoas de 14 a 34 anos, que trabalham de 6h às 21h.

“Quando o trabalho não vai bem, não adianta forçar o trabalhador, exigindo mais assiduidade, mais presença, mais concentração, mais treinamento, menos erros, mais resultados, mais produtividade, melhor cumprimento de metas e prazos ou ainda mais e melhor assiduidade pessoal com sua saúde, muitas vezes responsabilizando e até culpando-o pelos descuidos do seu corpo ou comportamento”, disse Heliete Maria Castilho.

O jornal chinês Souther Weekly denunciou que os freqüentes suicídios ocorridos entre funcionários da Foxconn, produtora de iPods, iPhones e iPads, foram causados por excesso de trabalho e maus-tratos. O jornal enviou o repórter Liu Zhi Yi, de 20 anos, para trabalhar disfarçado na fábrica da Foxconn, na unidade de Senzhen, na China.

Por 28 dias o repórter vivenciou as péssimas condições de trabalho dos 400 mil empregados da empresa em Senzhen. Segundo o repórter, os funcionários vivem uma espécie de “escravidão contratada”. A empresa funciona 24 horas por dia. “Eles trabalham o dia todo, parando apenas para comer rapidamente ou dormir”. Liu concluiu que, para muitos empregados, a única saída possível para esse ciclo desumano é pôr fim à própria vida.

Conforme Liu Zhi, os empregados passam oito horas de pé e não podem se sentar para descansar e os salários mensais estão na faixa de 900 Yuan, cerca de R$ 235. O repórter disfarçado teve que assinar um documento especial: um acordo de horas extras que diz que a empresa não seria responsável pelas suas longas horas de trabalho. Segundo Liu, esse acordo “voluntário” anula as leis estatais chinesas.

Uma das “providências” tomadas pela empresa foi forçar os novos empregados assinarem um compromisso de que não vão se suicidar. Outra foi instalar mais de dois quilômetros de redes junto às janelas dos alojamentos, a uns dez metros do solo, para que os desesperados que saltam delas não cheguem ao chão.

Psicólogos e dirigentes sindicais de outros países europeus também alertam sobre um aumento do estresse nos ambientes de trabalho. “Os suicídios devido a condições de trabalho precárias e estressantes não são um fenômeno exclusivamente francês. Pelo menos 27% dos trabalhadores da União Européia (UE) consideram que sua saúde e segurança estão em risco devido ao trabalho”, declarou Laurent Vogel, que investiga a saúde trabalhista no Instituto Europeu de Sindicatos, sediado em Bruxelas.

“Em toda a Europa ocorrem suicídios nos locais de trabalho, mas estes não aparecem nas estatísticas trabalhistas”, acrescentou. Segundo Vogel, “admitir o suicídio no trabalho é tabu, porque questiona a constante busca de maior produtividade e eficiência”

Por Odenice Rocha

FONTE: http://ulbra-to.br/encena/2013/11/13/Pessimas-condicoes-de-trabalho-podem-levar-ao-uso-de-drogas-e-suicidios

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Escutem o louco

Escutem o louco
O homem que empurrou uma passageira nos trilhos do metrô desnuda o momento perturbador vivido pelo Brasil

De repente, o taxista aumentou o som da pequena TV acoplada no console do carro. No banco de trás, eu parei de ler e afinei os ouvidos. Era meio-dia da sexta-feira de Carnaval (28/2). O homem que, dias antes, havia empurrado uma passageira nos trilhos do metrô de São Paulo tinha sido preso. A mulher teve o braço amputado. O agressor sofre de esquizofrenia, destacou o apresentador de TV. “Louco”, decodificou de imediato o taxista. Doença triste, disse o apresentador na TV. Ao ser preso, continuou o apresentador, o agressor afirmou que a empurrou porque sentiu raiva. Essa parte o taxista não escutou. Algo lá fora o havia perturbado. Colou a mão na buzina, abriu a janela do carro e xingou o motorista ao lado, que tentava mudar de pista. Perdigotos saltavam da sua boca enquanto ele empunhava o dedo médio com uma mão que deveria estar no volante. Fechou a janela, para não perder a temperatura do ar-condicionado, e voltou a falar comigo. “A polícia tem de tirar os loucos da rua”. A quem ele se refere, pensei eu, confusa, olhando para fora, para dentro. Era ao louco do metrô.

Há algo de trágico nos loucos. E não apenas o que é definido como loucura nessa época histórica. Há uma outra tragédia, que é a de não ser escutado. Sempre que alguém com um diagnóstico de doença mental comete um crime, a patologia é usada para anular as interrogações e esvaziar o discurso de sentido. A pessoa não é mais uma pessoa, com história e circunstâncias, na qual a doença é uma circunstância e uma parte da história, jamais o todo. A pessoa deixa de ser uma pessoa para ser uma doença. Se há um histórico, é o de sua ficha médica, marcada por internações e medicamentos – ou a falta de um e de outro. Esvaziada de sua humanidade, o que diz é automaticamente descartado como sem substância. A doença mental, ao substituir a pessoa, explica também o crime. E, se não há sujeito, não é preciso nem pensar sobre os significados do crime, nem sobre o que diz aquele que o cometeu.

Mas o que essa escolha – a de reduzir uma pessoa a uma patologia e a de anular os sentidos do seu discurso – diz da sociedade na qual foi forjado esse modo de olhar? Se Alessandro de Souza Xavier, 33 anos, o homem que na terça-feira (25/2) empurrou Maria da Conceição Oliveira, 28, no metrô, for escutado, há algo de particularmente perturbador na justificativa que confere ao seu ato. Alessandro diz: “Fizeram um mal pra mim, e eu descontei. Fiz porque estava nervoso com o pessoal do mundo.”

O que há de particularmente perturbador nessa fala é que, quando escutada, ela desnuda o atual momento do Brasil. Vale a pena lembrar que o louco é também aquele que diz explicitamente do seu mundo. Sem mediações, ao dizê-lo ele pode sacrificar a vida de outros, assim como a sua. Vale a pena lembrar ainda que o louco não expressa apenas a sua loucura. Ele denuncia também a insanidade da sociedade em que vive.

Ao interrogar sobre os sentidos do que Alessandro diz, quando explica por que empurrou Maria, é necessário olhar para os outros crimes que viraram notícia nos últimos dias. Nenhum deles, até agora, relacionado a doenças mentais. Torcedores do São Paulo bateram com barras de ferro em um torcedor do Santos que esperava o ônibus. Bateram nele até matá-lo. Ao deparar-se com blocos de Carnaval interrompendo o trânsito, na Vila Madalena, bairro de classe média de São Paulo, um homem acelerou o carro e feriu dez pessoas. Quem estava perto o arrancou do veículo e passou a agredi-lo. Quando ele conseguiu fugir, destruíram o carro. Um casal de lésbicas foi espancado ao sair de um bloco de Carnaval, no Rio. Uma delas teve a roupa arrancada. Apenas uma pessoa na multidão ao redor tentou ajudá-las. Em Franca, no interior de São Paulo, um adolescente correu atrás de um suspeito de assalto e lhe aplicou um golpe chamado de “mata-leão” (estrangulamento). O suspeito, de 22 anos, teve um infarto após ser imobilizado e morreu no hospital. Um morador de rua foi linchado em Sorocaba (SP) por ter pegado um xampu de um supermercado. Teve afundamento do crânio. No Rio, mais um adolescente foi amarrado e agredido depois de furtar um celular. Linchamentos eclodiram em todo o país depois do caso do garoto acorrentado com uma trava de bicicleta no Flamengo. Nas semanas anteriores, dois manifestantes acenderam um rojão num protesto no Rio, matando um cinegrafista. Na Baixada Fluminense, um homem executou um suspeito de assalto com três tiros, em plena rua, durante o dia, assistido por vários. Mais de 40 ônibus foram incendiados em São Paulo em 2014.

O discurso do louco é encarado como uma afirmação (e confirmação) da sua loucura, o que é outra forma de não escutá-lo. No caso de Alessandro, uma das provas da loucura do louco teria sido ele dizer que jogou Maria nos trilhos do metrô por raiva e também por vingança. Explícito assim. Outra prova da loucura do louco revelou-se ao afirmar que não a conhecia, que a escolheu de forma aleatória. “Desconexo” – foi o adjetivo usado para definir o discurso de Alessandro. Sua vítima não era torcedora do Santos, não era lésbica, não tinha furtado um celular ou um xampu, as desrazões interpretadas como razões. Por que, então? O louco confessou: Maria não era Maria, já que não a conhecia nem sabia o seu nome, mas o “pessoal do mundo”. A lucidez do louco talvez seja a de não vestir como razão a nudez do seu ódio – ou a nudez do seu medo. Por isso também é louco.

Diante da violência que irrompe no Brasil em todos os espaços, talvez seja a hora de escutar o louco. Talvez o fato de ele atacar no metrô não seja um detalhe descartável, uma coincidência destituída de significado. No mesmo dia em que Alessandro foi preso, morreu no hospital Nivanilde de Silva Souza, aos 38 anos. No mesmo dia em que, na Estação da Sé, Alessandro empurrou Maria, na Estação da Luz um trem atingiu a cabeça de Nivanilde. Ela tinha dito a um estagiário da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que estava grávida, o que lhe assegurava o direito a entrar no vagão especial. O estagiário disse a ela que teria de apresentar um documento comprovando a gestação. Os dois teriam se empurrado, seguranças deram voz de prisão à Nivanilde. Na confusão, ela teria caído na plataforma. O trem bateu na sua cabeça.

No início de fevereiro, a linha-3 vermelha do metrô parou por cinco horas depois da falha em uma porta na estação da Sé, a mesma em que Alessandro empurrou Maria. No verão paulistano mais quente desde 1943, o ar-condicionado foi desligado. Pessoas vagavam pelos túneis, algumas desmaiaram, grávidas e velhos esperaram dentro de vagões abafados por horas. Pelo menos 19 dos 40 trens que circulavam na linha foram depredados.

Os protestos de junho de 2013 começaram por causa das tarifas do transporte público, em São Paulo os 20 centavos de aumento da passagem. Naquele momento, milhares romperam o imobilismo, no concreto e no simbólico, e passaram a andar por cidades em que não se andava, vidas consumidas em ônibus e metrôs superlotados. O aumento de 20 centavos foi cancelado, mas o péssimo transporte público continuou mastigando o tempo, desumanizando gente. Basta parar para esperar o trem nos horários de pico para ser empurrado, xingado, odiado. O outro, qualquer outro, tornou-se nosso inimigo e nosso competidor por um lugar no trem que nos engole e nos cospe em seu vaivém automático. Somos passageiros que não passam, e a tensão dessa impossibilidade cotidiana pode ser apalpada. A violência é gestada como uma promessa para o segundo seguinte.

Então o louco vai lá e empurra a mulher sobre os trilhos. Rompe o imobilismo e empurra aquela que espera. Porque é louco. Caso isolado, nenhuma conexão com nada, desconexo é o seu discurso, fora da história é o seu gesto, a insanidade é só dele. Basta eliminá-lo, tirá-lo de circulação, para que a sociedade brasileira volte a ser sã. E o metrô de São Paulo um espaço de convivência agradável e pacífico, marcado pela cordialidade.

Talvez estejamos todos não loucos, mas no lugar do louco. Já não nos subjetivamos, tudo é literal. Nos mínimos atos do cotidiano nos falta a palavra que pode mediar a ação, interromper o gesto de violência antes que se complete. Mas talvez estejamos no lugar do louco especialmente porque nem escutamos, nem somos escutados. E quem não é escutado vai perdendo a capacidade de dizer. Só resta então a violência.

Os protestos iniciados em junho pelos 20 centavos e agora centrados na Copa do Mundo são um dizer. Responder a eles com repressão – seja da polícia no espaço público, seja em projetos de lei que transformam manifestantes em terroristas, seja anunciando que o Exército vai para as ruas em tempos de democracia – é uma forma brutal de não escutar aqueles que ainda se preocupam em dizer. É talvez a maior violência de todas.

É preciso ser muito surdo para acreditar que prender todos, “deter para averiguação”, criminalizar manifestantes é suficiente para voltarmos a ser o Brasil cordial e contente que nunca existiu, 200 milhões em ação torcendo pela seleção canarinha. Que o dizer de quem deseja um Brasil diferente seja hoje expressado no campo simbólico do futebol é mais uma razão para escutá-lo, ao mostrar que estamos diante de novas construções do imaginário.

Escutem o louco. Para não colocar aqueles que protestam no lugar do louco, no lugar daquele que não é escutado porque não teria nada a dizer. E depois surpreenderem-se com a resposta violenta, convencendo-se de que não têm nada a ver com isso.

Por Eliane Brum

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/03/opinion/1393852189_834821.html

 

 

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Governo de SP também vai empregar usuário de droga em tratamento

Governo de SP também vai empregar usuário de droga em tratamento

O governo de São Paulo começou a empregar em serviços administrativos 13 atendidos pelo programa Recomeço, ação estadual para recuperar usuários de álcool e drogas.

O início da frente de trabalho será oficializado hoje, em evento com participação das secretarias estaduais envolvidas no programa.

A ação será uma das vitrines da gestão Geraldo Alckmin (PSDB). O objetivo é diferenciar o programa estadual do projeto Braços Abertos, da prefeitura, que emprega dependentes sem a obrigatoriedade de tratamento prévio.

Para trabalhar no Recomeço, o usuário precisa ter evoluído na recuperação – é necessária uma espécie de “alta” dos médicos.

“Além de estar mais preparado psicologicamente, nessa fase do tratamento ele já tem projetos. A vida já está se reconstruindo e ele consegue fazer uma projeção do papel dele no trabalho”, diz Eloisa Arruda, secretária estadual da Justiça.

Ela afirma que a inclusão social dos dependentes já estava prevista na criação do programa, no ano passado – antes, portanto, da ação lançada neste ano pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

O contrato terá duração de nove meses. Os participantes receberão R$ 395 por mês, além de vale-transporte e refeição. A moradia ficará por conta dos usuários.

Os dependentes trabalharão seis horas por dia, de segunda a quinta-feira (às sextas, eles fazem o curso de qualificação profissional). Todos deverão manter o tratamento médico.

Foram disponibilizadas 40 vagas. Das 13 já preenchidas, oito foram ocupadas na própria Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Outras cinco foram preenchidas dentro do Cratod (Centro de Referência de Álcool Tabaco e outras Drogas).

Os trabalhos incluem vagas de técnico de fotocópia, organização de documentos e arquivo. Quem for para o Cratod irá ainda ajudar no acolhimento de pessoas que procuram tratamento.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/02/1417369-governo-de-sp-tambem-vai-empregar-usuario-de-droga-em-tratamento.shtml

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A arte de esquecer

A arte de esquecer

Minha alma se faz carregar exagerada e desnecessariamente com o meu apego a pessoas, lugares, instituições, coisas e acontecimentos. Sei que já está ficando chato escrever isso, mas é verdade. Sou assim mesmo e, por isso, quero mudar. Quero esquecer pessoas e quinquilharias que, por causa do meu apego a elas, têm-me perturbado a existência: preciso abandoná-las, esquecê-las definitivamente, como se não tivessem existido para mim. Cansei, porque elas me têm sido inútil e demasiadamente pesadas.

Sempre me preocupei de certa forma com o que pensamos, porque acredito que, como dizem, somos o que pensamos. Eis a razão por que muita gente não é lá coisa boa. No entanto, não sou obstinado e, não muito raramente, trato este assunto com um pouco de ironia, tal qual faço com muitos outros. A vida é muito curta, para ser levada tão a sério. E, demais disso, um pouco de ironia – quando não ofensiva, imoral ou vulgar – faz bem àquele que dela se utiliza e às demais pessoas. Eu, pelo menos, penso assim. Nada tenho, todavia, contra quem pensa diferentemente.

“Se somos o que pensamos, acho que sou um lago ou um rio, porque eu só penso água. Danou-se!” – escrevi, ironicamente, dia 5 de junho de 2012, no grupo “Pensamentos”, do Facebook, a que pertenço. Foi uma brincadeira, é claro, mas a verdade, a despeito disso, é que meu interesse pelo assunto tem-se acentuado cada vez mais, embora não saiba dizer se isso é bom ou é ruim. Não sei nem quero saber. Como disse a amiga Valéria Bargmann, ao comentar no Facebook essa minha frase, “o bom é que temos um lago cristalino de ideias e, na maioria das vezes, as pessoas nos curtem”. É isso, Valéria!

Pois bem. Comprei recentemente e li quase de uma sentada o livro A Arte de Esquecer: Cérebro e Memória, do médico e neurocientista argentino naturalizado brasileiro Iván Izquierdo. Gostei muito. “Somos o que lembramos – e também aquilo que não queremos lembrar”, já diz a capa do livro. “Cada um de nós é quem é porque tem suas próprias memórias – ou fragmentos de memórias”, está insculpido na página 16. E (para fazer apenas mais uma citação), à guisa de epígrafe, está lá na página 19: “Nada somos além daquilo que recordamos.”

Caramba! Se, de fato, somos “também aquilo que não queremos lembrar”, a situação se complica, pois eu abri esta crônica afirmando que quero esquecer pessoas e quinquilharias inúteis que se me têm tornado pesadas. Quero esquecê-las, como se nunca tivessem existido para mim, para me sentir livre e leve. Pelo visto, ainda assim estarão comigo, porque continuarei sendo elas. Qual é, doutor Izquierdo?…Não, isso não! Estou fora! Não aceito isso, não! “Cai fora, jacaré, porque aqui ninguém te quer!”

Brincadeiras à parte, entendi muito bem o que Iván Izquierdo quis dizer. Aliás, quis dizer, não: escreveu, afirmando e fundamentando (o que é muito diferente de querer dizer). Claro, ele o disse fundamentadamente, e eu concordo com ele. Quero, por tudo isso, continuar pensando água. Aliás, o mesmo que a Valéria Bargmann quer fazer, segundo afirmou no mesmo comentário do Facebook que citei acima.

Por Valdinar Monteiro de Souza

FONTE: http://ulbra-to.br/encena/2013/09/18/A-arte-de-esquecer

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10 motivos para apoiar a descriminalização das drogas

10 motivos para apoiar a descriminalização das drogas

Entre as alternativas em discussão no Brasil e implementação em alguns países no mundo está a descriminalização do consumo das drogas. Isso significa tirar o uso de drogas da esfera criminal e passar para a esfera da saúde pública, com o intuito de tirar o medo que inibe uma educação honesta sobre o tema e abrindo espaço para programas de prevenção, redução de danos e tratamento. Medidas como essa são bem-sucedidas em diversos países no mundo. Nesses países a qualidade dos dados e consequentemente das políticas públicas para lidar com o problema do abuso de drogas melhorou de forma considerável.

Abaixo foram relacionados 10 motivos para sermos a favor da descriminalização:

1º Obscuridade – A legislação atual (11.343/2006) não faz distinção clara e objetiva entre usuário e traficante, o que gera arbitrariedades e prisões injustas. Muitas vezes o rico é usuário; o pobre, traficante;

2º Redução de Danos – A descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal permitirá que as secretarias de saúde dos municípios criem programas de redução de danos eficientes, como os de uso assistido e substituição tratando pessoas que fazem uso problemático de crack (por exemplo), já em prática em países europeus e no Canadá;

3º Redirecionamento das Forças – Economia e redirecionamento dos esforços e dinheiro da polícia, economizando o que é desperdiçado atualmente na detenção de usuários, para concentrar-se na resolução de crimes realmente relevantes;

4º Proteção – A descriminalização protege o consumidor de drogas da violência e corrupção policial, livrando o usuário de uma política pública que manda para a penitenciária jovens de bons antecedentes que saem de lá graduados na criminalidade;

5º Porta de Entrada – A criminalização empurra o consumidor, sobretudo o jovem, para drogas mais pesadas, sendo em si a criminalização a verdadeira “Porta de Entrada”;

6º Economia – A descriminalização induz uma abordagem de saúde às drogas, o que representa uma economia para o país, em relação às enormes quantias de dinheiro que atualmente são investidas em prisões e policiamento;

7º Contra o Preconceito – A política de drogas atual tem arruinado o futuro de grupos étnicos, os negros, por exemplo, têm seis vezes mais probabilidade de serem parados e revistados, mesmo que usem menos drogas do que pessoas brancas;

8º Liberdade Individual – O consumo de drogas é direito de liberdade individual da pessoa, sem o Estado poder interferir no livre arbítrio do cidadão, desde que não afete a terceiros;

9º Tendência Mundial – A descriminalização do uso faz parte de uma tendência mundial. Diversos países no mundo já fazem isso. O indivíduo não é mais criminalizado pelo uso. Isso já se faz há 20 anos nos países mais civilizados do mundo;

10º População Carcerária – Com a descriminalização haveria uma redução significante da população prisional, boa parte dos presos são pequenos traficantes, sem antecedentes criminais e vínculos com o crime organizado, de cada dez presos por tráfico, sete ou oito são pequenos traficantes. O número de grandes traficantes presos está abaixo de 10%.

Para o enfrentamento do problema relacionado às drogas, é preciso despir-se de qualquer moralismo e preconceito, é necessário coragem para admitir que está longe de ser uma questão criminal — até porque ninguém pode ou deve ser punido por uma conduta que não exceda ou ultrapasse o próprio autor e que não afete qualquer bem jurídico (princípio da lesividade) — o consumo de drogas é uma questão de saúde pública.

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Arteterapia: a arte em favor da saúde mental

Arteterapia: a arte em favor da saúde mental

A Arteterapia é um método terapêutico utilizado em diversas organizações na área da Saúde, Educação e Comunidade. A Associação Brasileira de Arteterapia a define como “um modo de trabalhar utilizando a linguagem artística como base da comunicação cliente-profissional. Sua essência é a criação estética e a elaboração artística em prol da saúde”. Para isso, utiliza as linguagens plástica, sonora, dramática, corporal e literária, envolvendo as técnicas de desenho, pintura, modelagem, construções, sonorização, música, dança, drama e poesia.

A terapia através da arte tem sido utilizada em diferentes especialidades, como treinamento empresarial; psico-profilaxia e reabilitação psicopedagógica; arte-reabilitação física e mental; reabilitação psico-social; projetos comunitários de educação para saúde e em consultório e clínicas especializadas com doenças degenerativas; deficiências físicas e mentais; psicoterapias individuais e de grupo, entre outras especialidades.

As vantagens da Arteterapia são muitas. Entre elas estão a redução do tempo de trabalho terapêutico; motivação do sujeito para tornar-se ativo, mais criativo e mais independente; utilização da comunicação averbal, aumentando a comunicação plena; desenvolvimento maior de adaptação, flexibilidade e originalidade, além relacionar harmonia e senso estético com maneiras equilibradas de viver.

Como campo específico do conhecimento, a Arteterapia firma-se nos Estados Unidos, em 1940, com o trabalho de Margareth Nauberg, que estabeleceu as fundamentações teóricas para seu desenvolvimento, além de demarcá-la como área do saber. A Arteterapia recebeu influência de áreas do conhecimento como a psicanálise freudiana, que, no início do século XX, interessa-se pela arte como meio de manifestação do inconsciente através de imagens.

A Reforma Psiquiátrica vem permitindo práticas humanizadas no tratamento de portadores de transtorno mental. A Arteterapia é uma dessas práticas, que pode ser coadjuvante no tratamento, servindo como instrumento de intervenção voltada ao enfrentamento e à diminuição do sofrimento psíquico. Um caminho para o sujeito perceber as possibilidades de expressão, construção e reconstrução de suas dificuldades de se relacionar com o mundo e consigo mesmo.

Podem atuar como Arteterapeutas profissionais com graduação na área de saúde como Medicina, Psicologia, Enfermagem, Fisioterapia etc, e que tenham curso de formação em Arteterapia. A Associação Brasileira de Arteterapia está trabalhando para legalizar a profissão segundo um código de ética voltado e aprovado junto às autoridades competentes e também introduzir a cadeira de arteterapia nas universidades brasileiras.

Por Jéssica Rodrigues Lima

FONTE: http://ulbra-to.br/encena/2013/09/04/Arteterapia-a-arte-em-favor-da-saude-mental

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Teoria de Freud é respaldada por escâneres cerebrais

Teoria de Freud é respaldada por escâneres cerebrais

Melbourne – Sigmund Freud talvez tenha tido razão ao apontar lembranças reprimidas como causa da histeria.

Cientistas da King’s College, em Londres, e da Universidade de Melbourne descobriram, utilizando escâneres cerebrais, que o estresse psicológico pode ser o responsável por sintomas físicos sem explicação, como paralisias e convulsões.

Os pacientes apresentaram diferenças na atividade cerebral quando tiveram lembranças traumáticas comparados com voluntários saudáveis em um estudo publicado na edição da revista JAMA Psychiatry do mês passado. Além de apoiar a teoria de Freud e ajudar a explicar uma das reclamações mais comuns ouvidas pelos neurologistas, a pesquisa poderia criar novas abordagens de tratamento para os pacientes cujos sintomas costumavam ser menosprezados pelos doutores no passado.

“Trata-se do primeiro artigo de que eu sou ciente que realmente mostra que eventos traumáticos prévios definitivamente podem desencadear esse tipo de resposta motora”, disse John Speed, professor de medicina e reabilitação física na Universidade de Utah em Salt Lake City, que não esteve envolvido na pesquisa. “Isso é muito estimulante”.

A pesquisa é uma das mais recentes que demonstram como dispositivos de escâner cerebral feitos por companhias como a Siemens AG, a General Electric Co. e a Royal Philips NV estão sendo usados para ajudar a desvendar sintomas neuropsiquiátricos que costumavam desconcertar os médicos.

Os cientistas utilizaram imagens de ressonâncias magnéticas (fMRI) para acompanhar mudanças no fluxo sanguíneo para áreas específicas do cérebro enquanto se perguntava aos participantes sobre seu passado, o que produziu vistas anatômicas e funcionais dos seus cérebros.

As lembranças reprimidas foram um princípio das teorias psicológicas de Freud sobre a natureza dos processos mentais inconscientes. O neurologista austríaco, que ficou conhecido como o pai da psicanálise, usou o termo repressão para descrever a forma em que eventos emocionalmente dolorosos podiam ser bloqueados fora da consciência. Este mecanismo de autoproteção, postulou Freud, podia criar sintomas psicossomáticos rotulados “histeria” na época, em um processo atualmente conhecido como conversão.

Por Jason Gale

FONTE: http://origin.exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/teoria-de-freud-e-respaldada-por-escaneres-cerebrais

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